Olimpíadas, gênero e mídia

Olimpíadas, gênero e mídia

Texto originalmente publicado no blog do Demodê.

Passadas as olimpíadas do Rio de 2016, aos poucos o noticiário brasileiro retoma sua agenda para o desfecho do golpe parlamentar em curso desde maio. É muito peculiar que o Brasil tenha hospedado o maior evento esportivo do planeta em um momento que sua democracia se iguala a países comoHonduras e Paraguai. Estes países, que participaram dos jogos, não obtiveram medalhas, ao contrário do Brasil, que chegou à sua melhor marca olímpica impulsionado pelo outrora tão criticado “bolsa medalha”.

Já na Grécia antiga, as Olimpíadas desempenhavam um papel apaziguador da política. Enquanto ocorriam os jogos, as disputas entre as cidades gregas eram suspensas. Mas não é preciso ir tão longe na história para relacionar a política e o esporte. É notório o fato de que o tricampeonato de futebol masculino, em 1970, colaborou para a permanência da ditadura militar no Brasil por mais alguns anos. Continuar lendo “Olimpíadas, gênero e mídia”

Mapeamento colaborativo; o sucesso do PokemonGo

Mapeamento colaborativo; o sucesso do PokemonGo

O primeiro sistema de mapeamento colaborativo que tive contato foi o OpenStreetMap. Nunca cheguei a atuar diretamente com o projeto, pois ainda resistia à telefonia móvel por motivos de privacidade. Há pouco mais de dois anos me rendi à comodidade do 4G tendo a plena consciência de que, a partir de então, entraria para a base de bilhões de pessoas cujos dados são comercializados por corporações transnacionais de tecnologia.

Tendo em vista que meus dados pessoais já estariam no mercado da big data e, eventualmente, nos bancos de vigilância, porque não aproveitar e me divertir? Afinal de contas “if I can’t dance, that is not my revolution“.

Há pouco mais de um ano, um amigo de BH me mostrou o Ingress, jogo de geolocalização da Niantic Labs, uma startup que surgiu dentro do Google (aquela empresa em que as funcionárias tem 30% do tempo de trabalho “livres” para tocarem outros projetos). Hoje a Niantic está mundialmente famosa devido ao PokemonGo.

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Conteúdos e bens culturais no VI Fórum da Internet do Brasil

Conteúdos e bens culturais no VI Fórum da Internet do Brasil

Texto que escrevi junto com Rita Freire, publicado originalmente no Ciranda.net

A circulação de conteúdos e bens culturais na Internet e as questões de sua cadeia produtiva, impacto econômico e interrelações com as políticas e a indústria da cultura ganharam espaço para aprofundamento de debates no Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI Br), com a reinstalação de uma Câmara de Consultoria dedicada esses temas. Continuar lendo “Conteúdos e bens culturais no VI Fórum da Internet do Brasil”

Autonomia e privacidade no ambiente digital (e Mr. Robot!)

Autonomia e privacidade no ambiente digital (e Mr. Robot!)

Fim de semestre e dois artigos finalizados! O da disciplina de Teorias da Democracia, da Profa. Flávia Biroli, é este que compartilho abaixo. Por hora apenas o resumo. O texto completo vem depois, se possível em uma publicação. Mas quem tiver interesse em trocar alguma figurinha é só entrar em contato para conversar.

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Para não dizer que não falei de vídeos

(E não é sobre #GOT e claro que amei a “luta dos bastardos” e a aliança feminista da Daenerys e Yara.)

Hoje ficamos primeiramente sem temer, em seguida sem nos preocupar com canalhas para então abraçar a diversidade e justiça social de forma livre!

Vídeo 0: #Fora temer versão Carmina Burana

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Um pouco de cada vez

Morreu um apoiador da ditadura.

Um artista plástico de grande talento.

Uma senhora no ponto de ônibus durante um temporal no interior de São Paulo.

Morreu o pai de uma amiga. E a mãe de um outro amigo.

Muitas outras pessoas morreram nas últimas 24 horas. Tão simples e cotidianamente assim.

Eu ainda estou processando tudo isso que tem acontecido. Agradeço ao NYT pelo apoio moral no início da semana e ao twitter pela sanidade.

A resistência e a dimensão cidadã da cultura

A resistência e a dimensão cidadã da cultura

Hoje (24/05) toma posse o ministro interino da cultura com 21 espaços do MinC ocupados por artistas, jovens e todo o tipo de gente indignada com o governo interino.

Alguns analistas podem achar ridículo, ou até mesmo irrelevante, a discussão sobre a extinção de pastas que representam minorias como a cultura, mulheres, igualdade racial e direitos humanos, em um contexto tão anti democrático em que o país se encontra. Ainda mais um dia após a divulgação de grampo que levou a queda do ministro interino do planejamento três horas após publicação de editorial do Globo pedindo sua cabeça. Sem dúvida a mais grave das trapalhadas do governo em 12 dias.

A relevância das ocupações vem do fato de que, aliadas às escolas estaduais de Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul, representam a resistência que tende a aumentar (só podemos supor, já que não são mais divulgadas pesquisas de opinião neste país!).

Este despertar cidadão da cultura muito tem a ver com o do in antropológico iniciado por Gilberto Gil à frente do MinC, entre 2003 e 2008. Continuar lendo “A resistência e a dimensão cidadã da cultura”