Truquenologia, última prévia: pinhole!

Ufa! Faltando agora basicamente a revisão de umas trinta páginas e a tradução das notas do autor ressalto mais uma das brilhantes passagens do livro. Sem dúvida, valeria a pena escrever sobre as passagens que comparam os produtivistas russos do começo do século passado e o movimento anti-globalização do começo deste século, mas isso compreenderia uma edição mais acurada das partes, o que até conseguiria articular, mas em outro momento. Quem sabe? por hora só uma provocação tática para o imaginário contemporâneo:

de Leonardo da Vinci

Pouco antes de sua conclusão uma enorme surpresa – que sim parece propositalmente guardada com todo carinho para o final – sobre a gambiarra mor, “que não é originária de nenhum artista ou ativista”, mas simplesmente do imaginário criativo popular sem autoria ou propriedade. Em suas palavras;

“Por fim, fiquemos com um último personagem. Figura mista, remixando tanto a bricolagem popular como a “arte-engenharia”, com a diferença de que não se trata de um artista ou ativista, não é único nem coletivo, por que não é humano. Nosso personagem é uma máquina, mas uma máquina em verdade quase anti-máquina, uma relíquia arqueológica que, contam os registros, já seria conhecida dos chineses no século V antes de Cristo. Leonardo da Vinci a teria desenhado em seu Codex Atlanticus. Uma criação popular, mas também criação de artista, sim, por que sobreviveu e permaneceu todos estes séculos até hoje passando principalmente pelas mãos desses criadores, espécie de confraria ou sociedade secreta de iniciados que, segundo o artista David Hockney, teriam utilizado-a para pintarem seus quadros pelo menos desde a Renascença. Pois que não mais seria se não a camera obscura, esse “mistério iniciático”, segredo que teria levado tantos dos nossos conhecidos “gênios” da pintura, segundo Hockney, a pintarem corpos e rostos de maneira tão fidedigna? Pois qual se não ela, a câmera escura, hoje em dia conhecida como máquina pinhole (de pin hole), pura criação tecnológica espontânea. Pura antecipação da máquina fotográfica, da “caixa preta” de Flusser, não viesse dela também a própria expressão caixa preta.

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O power user político

No design de interação se fala bastante do power user, entretanto desde um ponto de vista totalmente voltado para o mercado. Abaixo, trecho do Truquenologia, livro do Ricardo Rosas que estou traduzindo e será em breve lançado, no qual ele fala do power user e do prosumer do ponto de vista da/o bricoleur, da/o sabotadora/o, da/o golpista/o, enfim de ações que mesmo involuntárias têm a gambiarra intrínsecas, aquela inventividade criativa diante da escassez de recursos, do ‘sivirisismo”.
É um trecho muito bom para quem quer pensar design de interação para além do mercado (e stakeholders), além de ser uma prévia do ensaio…

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