Algoritmos, privacidade e democracia ou como o privado nunca foi tão político como no século XXI

Minha tese de doutorado já está disponível no repositório institucional da UnB.

A tese analisou a relação entre a democracia, a privacidade e os algoritmos utilizando como fonte principal de investigação a literatura sobre estes temas e uma discussão empiricamente informada das sessões centrais do Fórum de Governança da Internet, principal evento internacional, realizado pelas Nações Unidas, para debater tecnologia e sociedade. O objetivo central do trabalho é mapear as principais controvérsias em torno do debate sobre privacidade e proteção de dados pessoais e sua relação com as democracias contemporâneas. A partir desta questão, examinou-se os principais marcos regulatórios que versam sobre o tema e como refletem princípios e valores democráticos. A metodologia de análise descreveu os procedimentos quantitativos e qualitativos adotados na pesquisa empírica e teórica. Dentre as principais conclusões do trabalho enfatiza-se a necessidade de regular o setor de tecnologia em questões que vão além da privacidade, em especial a forma como operam os algoritmos inteligentes.

Lavits2019

Lavits2019

Nunca tinha visto tanta gente interessada no tema da vigilância como no #Lavits2019, que sua VI edição ocorreu em Salvador entre 26 e 28 de junho de 2019.

Por outro lado, durante o evento escutei muito pouco sobre software livre. Quase todas apresentações projetadas em Windows. Praticamente todo mundo usando Android no celular. O paradoxo reflete a falsa dicotomia privacidade x segurança.

O diagnóstico? O modelo neoliberal promove a privatização da segurança pública que coloca a vigilância como arma de opressão à população pobre e negra.

Retornei com energia revigorada de ver a diversidade no campus da UFBA em Ondina, tanto no evento como na circulação diária de fim de semestre.

Do ponto de vista acadêmico foi muito intenso ter contato com trabalhos das áreas de comunicação, sociologia, artes, computação, ciência política, dentre outros, que abordam o tema da vigilância. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de participar. Apresentei o artigo “Algoritmos e autonomia; relações de poder e resistência no capitalismo de vigilância” resultado parcial do segundo capítulo da tese, somado à disciplina Democracia e Neoliberalismo (que experimentou a construção de linhas do tempo colaborativas muito interessantes).

Por fim, os componentes afetivos. Além de encontrar bons amigos e conhecer novas pessoas foi um retorno a Salvador após dez anos. Impressionante o impacto da Copa de 2014 na cidade. Quando morei lá, em 2005, era tudo mais ‘caótico’ (ou talvez era apenas eu parindo gêmeos).

PS: Super recomendo um almoço no centro histórico no Rango Vegan.

 

Artigo publicado: Autonomia e privacidade no ambiente digital

Artigo publicado: Autonomia e privacidade no ambiente digital

Há quase um ano terminava de escrever o artigo da disciplina de Teorias da Democracia, que posteriormente foi aceito para publicação e já se encontra online aqui, com DOI, ISBN e tudo mais. Curiosamente segui trabalhando com o tema na disciplina de Gênero e Política, mas desta vez relacionando a privacidade com a cultura do compartilhamento a partir do debate sobre a pornografia. Espero publicar este também! Continuar lendo “Artigo publicado: Autonomia e privacidade no ambiente digital”

Notas sobre a Escola de Governança da Internet no Brasil

Notas sobre a Escola de Governança da Internet no Brasil

Ano passado, alguns colegas e amigos foram para a primeira turma da Escola de Governança da Internet no Brasil, um curso de curta duração com 46 horas aula, promovido pelo CGI.br. Este ano, não hesitei e fui uma das selecionadas da segunda turma com um texto sobre diversidade cultural na Internet.

Além do intensivo da semana de imersão, o curso contou com algumas atividades prévias e bibliografia preparatória. Deste material vale destacar o já clássico texto do Barlow “A Declaration of the Independence of Cyberspace“, mas também o excelente artigo Facebookistan sobre a eterna questão da jurisdição da Internet e em tempos de Internet.org.

O material prévio ainda tinha uma saudação à Jon Postel no RFC: 2468 e o Libraries of the Future (PDF) do Licklider, escrito em 1965 (!) e o  “The Computer as a Communication Device”, de 1968.

A seguir coloco alguns comentários que fui anotando ao longo da semana. Vale destacar que todo o conteúdo das palestras está aqui. Continuar lendo “Notas sobre a Escola de Governança da Internet no Brasil”