Hoje (24/05) toma posse o ministro interino da cultura com 21 espaços do MinC ocupados por artistas, jovens e todo o tipo de gente indignada com o governo interino.

Alguns analistas podem achar ridículo, ou até mesmo irrelevante, a discussão sobre a extinção de pastas que representam minorias como a cultura, mulheres, igualdade racial e direitos humanos, em um contexto tão anti democrático em que o país se encontra. Ainda mais um dia após a divulgação de grampo que levou a queda do ministro interino do planejamento três horas após publicação de editorial do Globo pedindo sua cabeça. Sem dúvida a mais grave das trapalhadas do governo em 12 dias.

A relevância das ocupações vem do fato de que, aliadas às escolas estaduais de Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul, representam a resistência que tende a aumentar (só podemos supor, já que não são mais divulgadas pesquisas de opinião neste país!).

Este despertar cidadão da cultura muito tem a ver com o do in antropológico iniciado por Gilberto Gil à frente do MinC, entre 2003 e 2008.

O retorno do MinC ao status de Ministério foi marcado por alguns detalhes interessantes;

1 – A cultura desempenhou papel relevante na defesa da democracia, logo, alguns analistas afirmaram que a integração ao MEC era uma resposta “revanchista” do governo interino à classe artística;

2 – Após amplas criticas à misoginia dos ocupantes dos ministérios interinos o objetivo era encontrar uma mulher para integrar a pasta; (Juro que não entendi porque a Marta não voltou para ajudar o PMDB, seu partido agora…). Pelo menos cinco mulheres recursaram o convite.

3 – Caetano e Erasmo cantaram na ocupação do Palácio Gustavo Capanema (20/5) e em seguida aconteceu a Virada Cultural em  São Paulo, marcada por protestos contra o governo. (Alguém ainda tem dúvidas de como a classe artística dialoga com a juventude?)

4 – As ocupações e as manifestações ecoam “Temer Jamais” (o melhor slogan!), pedem o impeachment do presidente interino e não reconhecem o novo governo.

Como será recebido o novo interino ministro da cultura? Ele será reconhecido ou também rechaçado e vaiado por servidores da cultura? Irá pedir à justiça reintegração de posse das ocupações?

Vale ficar a atento ao fato de que o decreto publicado ontem (23/5) que recria o MinC, cria a Secretaria Especial do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e nada fala do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que tem mais de 80 anos de existência. Este simples fato gera uma insegurança jurídica grave, pois ao retirar do Iphan a competência de autorizar obras e empreendimentos do patrimônio e submetê-la à decisão do Ministro interino, promove-se uma ruptura que privilegia apenas a especulação imobiliária.

Não me interessa muito o que o novo ministro fará, pois me parece mais relevante observar como as pessoas agirão a partir de agora. As ocupações culturais conseguirão abraçar novas causas em uma proposta realmente diversa que extrapole a cultura e envolva meio ambiente, privatização da educação e da infra estrutura, os ataques aos direitos fundamentais e etc?

O risco de repressão e esvaziamento é iminente. Por outro lado, estas ocupações culturais representam hoje o foco de resistência à ditadura em construção.

 

 

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