Semana passada, adorei participar da comissão de seleção do Edital Cultura de Rede Local, da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC) do MinC. Dentre os inscritos e habilitados haviam projetos incríveis de alto impacto local como, por exemplo, iniciativas para trabalhar com deficientes físicos no interior do nordeste, ou programas voltados para populações de imigrantes,  LGBT, dentre vários outros. Foi uma semana intensa de trabalho, mas que ao mesmo tempo foi revigorante por conhecer estas iniciativas, que em sua maioria nunca receberam recursos do governo federal.

Impressionante a demanda por cultura mesmo depois de 10 anos do Programa Cultura Viva. Muitos projetos de cidades do interior, de associações que ainda se mantém apenas com voluntarismo e de grupos com alto impacto local. Achei muito interessante os critérios de avaliação dos projetos, tanto no impacto da diversidade do público (crianças, jovens, estudantes, idosos, imigrantes, LGBT, indígenas, etc) como também para o fortalecimento de identidades.

Impossível não lembrar de que o cultura viva nasceu com a marca da diversidade e a cola da cultura digital, à época ainda muito emergente. Em 2005, usávamos disquetes e os telefones não eram celulares. Mas tinha o tal do kit multimídia que vinha para dialogar com a diversidade cultural. Os primeiros 380 e poucos Pontos de Cultura da primeira edição de seleção tinham representadas as mais variadas manifestações culturais do Brasil, desde as originárias indígenas, passando pelas afro brasileiras, reconhecendo também iniciativas em linguagens (audiovisual, teatro, dança, etc) e museológicas e patrimoniais.

Os encontros de conhecimentos livres promoviam a interação entre o novo o da cultura digital e toda esta tradição remixada, reapropriada e ressignificada que é a cultura brasileira. Uma interpretação e memória sobre esta convergência documentei aqui, na minha reportagem – ops, trabalho de conclusão de curso de graduação em jornalismo.

Atualmente a internet não é a mesma de 10 anos. Já é o segundo Fórum de Governança da Internet hospedado por uma cidade brasileira. Em 2007, no Rio, participei de uma mesa sobre regulação de conteúdo. Minha fala era da perspectiva dos usuários finais enquanto que outros presentes representavam governos, provedores dentre outros segmentos. Curioso é que de lá para cá aconteceu uma regulação do conteúdo da web. Não nos moldes propostos antes, que iam de parent control ao banimento da pornografia. A regulação da internet aconteceu a partir da centralização de conteúdos, pela perda de memória digital e pela total ausência de diversidade, que outrora fora uma das características da rede.

Chegamos no IGF 2015 com muito mais bagagem, mas também com pulgas atrás da orelha, afinal este foi o ano que o Facebook censurou o Ministério da Cultura, em uma ameaça direta à diversidade cultural. Que venham os debates e hoje começamos com o Seminário Internacional sobre o Papel Social das Comunicações e o Fortalecimento da Liberdade de Expressão. Tomara que os debates aqui ajudem aqueles projetos do edital de redes local a terem a oportunidade de se expressar na internet (para além de páginas no facebook).

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