Conheci o trabalho do Nesta quando pesquisei inovação aberta para meu trabalho de conclusão de curso da especialização em Design de Interação, em 2011. Na época o projeto chamou muito a atenção, em especial pelas ferramentas aplicadas para a geração de co-criação, inovação e colaboração em rede aplicadas para transformação social. São projetos que vão desde a inovação em serviços prestados em hospitais públicos da Inglaterra, ao mapeamento de startups, desafios em dados abertos, cidades criativas, entre diversos outros. Sem sobra de dúvida uma referência.

Quando fiquei sabendo pelo Gustavo que haveria um treinamento realizado pelo Nesta em parceria com o British Council e Sebrae Nacional fiquei simplesmente alucinada. Era uma oportunidade única! E consegui ir lá na Biblioteca Nacional de Brasília entre os dias 19 e 22/02. Foram selecionados 20 empreendedores, dos quais 16 participaram durante os 4 dias do curso. O grupo era bem diversificado, composto de muita gente bacana que trabalhou de forma colaborativa ao longo dos dias. A experiência pode vir a ser inclusive referência para os processos de formação das Incubadoras Brasil Criativo, da Secretaria de Economia Criativa, do Ministério da Cultura. 

Notas e fotos do treinamento

O primeiro dia começou com a Nicola Schellander, responsável pelos treinamentos no Brasil, explicando que a metodologia existe há 12 anos e que antigamente tinha duração de 3 semanas e agora está condensado. Pede para que as pessoas se apresentem falando seu nome e o negócio criativo que desejam desenvolver nos próximos dias. Vejam só a turma:

Os empreendedores criativos do treinamento Nesta DF

Durante a tarde iniciamos uma conversa sobre valores. Houve um debate sobre a diferença entre valores (princípios pessoais) e moral. Nicola explica que moral está mais centrado em processos de base como certo errado. Questiona: Como os valores e princípios de uma empresa são importantes para sua imagem e para os clientes?

Em seguida propôs um exercício individual: listar o que gosta em um produto ou serviço e listar o que admira sobre. Escolhi software livre.

Depois deveríamos fazer o mesmo com o seu produto ou serviço. Para então trabalhar com seis valores e pensar em 10 sinônimos para cada um deles. Fechamos a tarde do primeiro dia com um debate sobre cadeia de valor de produção, fornecedores, reputação e como eles precisam ter os mesmos valores e princípios que você/sua empresa. 

Para o dia seguinte cada participante deveria escrever a missão da empresa com as  6 palavras escolhidas como valores fundamentais. A minha ficou assim: Desenvolver aplicativos interativos e funcionais que promovam experiências de uso memoráveis, trabalhando colaborativamente a liberdade e segurança dos usuários.

Dos valores ao branding

No dia seguinte trabalhamos com a proposta de valor das iniciativas. O que cada negócio faz? Porque ele é relevante para outras pessoas? É preciso oferecer a algo único que diferencie seu trabalho no mercado, por isso é necessário utilizar a linguagem adequada. Como se comunicar com os clientes? Como você se conecta com seus clientes? Quais são os valores da marca? Se os valores mudam, o que acontece?

Fizemos um exercício de analisar o quanto os stakeholders ou fornecedores impactam nos negócios e de que forma suas eventuais falhas podem atingir os clientes de forma negativa. Realizamos ainda uma discussão sobre a construção de branding e debate sobre segmentação de clientes. Algumas perguntas para o exercício de brainstorming sobre segmentação de clientes e branding eram:

  • Quem são seus clientes?
  • Eles precisam do que você oferece?
  • Onde está a oportunidade?
  • Como você cria demanda/ necessidade?
  • Como criar um mercado para seu negócio?
  • Quem são os clientes do seu produto/serviço?
  • Onde encontrá-los?
  • Como se conectar a eles?
  • Como se comportam e qual e o seu perfil?

Analisando o impacto de suas idéias

No período da tarde Nicola apresentou uma proposta para trabalhar o impacto de sua ideia/produto/negócio que nunca tinha visto. Fez jus à reputação do Nesta! O quadrante era composto pelos seguintes itens:

Melhoria (enhance)

Substituição (replace)

Resgate (retrieve)

Revés (backslash)

A partir dele deveríamos trabalhar com a análise  do impacto em casos de empresas que crescem muito rápido e se tornam muito grandes. Primeiramente os grupos trabalharam com o caso das sandálias Havaianas. Em seguida foi feita a análise de cada um dos negócios em grupos de 3 pessoas em que todos colaboravam para construir a visão do negócio outro e seus impactos na sociedade. A atividade foi tão intensa que saímos cansados, esgotados mentalmente e começando a ter uma visão mais sistêmica de nosso empreendimento criativo.

Planejamento e recursos humanos

No terceiro dia começamos debatendo sobre a atividade anterior. Nicola explicou que é normal que haja preocupações sobre o impacto do negócios, por isso é importante planejar. O exercício trabalha também com a visão da empresa. Esta manhã vamos trabalhar com finanças, explicou. Como precificar seus produtos/serviços e como ampliar nossa visão de forma que as pessoas se engajem nela?

Iniciamos com um exercício individual de colocar no papel quais são seus gastos mensais pessoais mensais. Em seguida fazer o mesmo mas com a estimativa de custos da empresa. Este terceiro dia foi marcado pela “dose de realidade”. Frustração geral ao trabalhar com finanças, ver que na maior parte dos casos o balanço entre o que entra de grana e o que saí em geral fica no vermelho. Por outro lado, foi muito didático o exercício de avaliar as finanças pessoais antes de projetar o financeiro da empresa.

No período da tarde começamos a trabalhar com os recursos humanos necessários para transformar a ideia em um negócio rentável. Para tanto utilizamos outro quadrante composto de idealizador, realizador, cliente e distribuidor. 

Idealizador

Realizador

Cliente

Distribuidor

Listamos individualmente quem são as pessoas em cada um dos quadrantes, ou seja, quais os recursos humanos fundamentais para cada negócio? Qual a estrutura que sua empresa precisa para ser grande?

Visualizando o negócio ganhar corpo

No sábado, último dia foi muito produtivo. Iniciamos conversando sobre o balanço entre os valores (lá do primeiro dia) e o que realmente é seu plano de negócios a partir dos seguintes elementos:

Como balancear esses três elementos? O que acontece se faltar um dos três? Para ter um negócio de sucesso é preciso conjugar os três elementos, explica Nicola. Segundo ela para viabilizar sua ideia de negócios é preciso manter a qualidade de seus produtos/serviços de forma a entregar sempre de acordo com a expectativa gerada nos clientes.

Em seguida iniciamos a reflexão sobre o ciclo de projetual: Pesquisa -> Design -> Entrega. Deveríamos pensar e incluir todos os passos e detalhes necessários para que o negócio se torne realidade. Em um primeiro momento em forma caótica de brainstormng e em seguida organizando cronologicamente.

Começamos com o seguinte exercício: Todos os participantes detalharam os passos de uma viagem internacional desde o check out do hotel até a chegada ao destino de forma minuciosa. O resultado foi surpreendente!

Depois disso os participantes se dividiram em grupos de 3 para fazer o mesmo com sua ideia, desde a fase de pesquisa até o lançamento do produto no mercado. Vejam como ficou o meu “plano de negócios”:

Após este exercício houveram falas de agradecimento pela experiência e networking. O último dia foi extremamente produtivo, pois foi quando os empreendedores de fato colocaram suas idéias no papel em um cronograma de negócio. Todos saíram motivados e trocando contatos.

O material didático só foi entregue no final do curso, após concluídas as atividades. Observei  que muito dos quadros apresentados e os temas tratados estavam presentes no toolkit “Monte seu próprio negócio criativo bem sucedido”, traduzido a partir do Creative Enterprise Toolkit do Nesta. Por outro lado o material didático contém muitas informações que não foram trabalhadas durante o curso. Por isso, acho que o treinamento seria ainda melhor se tivéssemos o apoio do material didático ao longo do treinamento.

Material didático para empreendedores criativos Nesta

Em termos de metodologia e conteúdo de fato o Nesta contribui com ferramentas inovadoras e práticas pouco conhecidas. As reflexões propostas pelas atividades do treinamento atingem o objetivo de fazer com que o empreendedor criativo visualize seu modelo de negócios de forma sistêmica, bem diferente do Business Model Canvas, ou do Project Model Canvas.

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