quanto vc precisa para ser 1 byte?


Já faz um tempo em que tento elucubrar sobre o que a metareciclagem siginifica, inclusive abordei isso no último artigo que escrevi. Em paralelo às minhas pesquisas sobre design de experiência, há uns meses sinto uma demanda constante, tanto do movimento do multirão da gambiarra, como pelas redes por produção de conteúdo e memória digital. Somado à isso aparece a chamada de colaboração para a pesquisa de doutorado do hdhd. Falando nele, enquanto escrevia bateu uma saudades do tempo em que a gente publicava quase toda semana na buzzine, até hoje mantida por ele.

Não era bem essa a idéia desse post, mas escrevendo em diferentes tempos – começei a escrever sobre as zonas de colaboração lá em março – saiu um apanhado de memórias que me fizeram voltar à associação do metarecicleirx ao ator-rede do Bruno Latour. E são estes fragmentos de experiências que coloco para serem colados no mosaico da rede metarec.

Fragmentos Digitofágicos
Fragmentos Digitofágicos

Memórias afetivas

Aliás, falando em buzzine e em publicação tem um caso das antigas sobre o marketing hacker de quando estudávamos – eu dpadua e metal – ainda no uni-bh. Havia escrito um texto pra buzzine e queria aproveitá-lo pra uma disciplina de redação jornalística. Fui pro laboratório da faculdade pegar o texto online e imprimir. Chego lá e o dominio tava bloqueado por conta de um firewall estúpio que marcava palavra e, claro, hacker estava na lista. Fiquei tão indignada que escrevi um mail pro suporte de informática da faculdade (onde os meninos trabalhavam) beeeem mal humorado, afinal tinha perdido o prazo de entrega do trabalho confiando na publicação na rede. O desenrolar da coisa foi que ao mesmo tempo em que a turma do setor lá de informática curtiu a reclamação e pode questionar de fato os parâmetros do firewall, teve outros que não apreciaram tanto a crítica e mal humor. Resultado foram uns 300 mails seguidos de spam num e-mail do terra gerados a partir de script que metal havia feito…

Prosseguindo nas elucubrações para registar um pouco dos pensamentos flutuantes sobre o que rola na rede metareciclagem que contribue pra gerar apropriação da tecnologia e transformação social vou levantar algumas possibilidades. Seria mais simples explicar que rolou uma afinidade de uma turma que usava intenet freneticamente no começo do século e que juntaram as experiências e inspirações até a conformação dessa rede. Mas não foi só isso que ocorreu. Entendo aquele momento inicial quando tudo era – meta alguma nova idéia genial – muito mais como uma convergência de pessoas um pouco nerds, definitivamente curiosxs sobre novas tecnologias, trocando idéias e conhcimento. Vale lembrar que o termo metareciclagem surgiu como insight borbulhante entre mais de cem mensagens diárias que rolavam na lista metáfora. Era muita elaboração de idéias. Nunca mais vi ou participei de algo tão intenso virtualmente que fosse semelhante.

Retroalimentação

Pra mim aquela situação originária da metareciclagem enquanto prática e definição de seu conceito já era uma super apropriação tecnológica que estava gerando muita transformação social (cuja dimensão só percebemos nos anos seguintes). Mudança inicialmente de nós mesmxs envolvidxs, influência nas politicas públicas de ‘inclusão digital’, em outros movimentos políticos e sociais e essencialmente replicação. Muita replicação incontrolável. Mesmo antes de discussões elaboradas sobre direitos autorais e formas de licenciamento livre havia um consenso sobre o o compartilhamento como princípio, afinal operavamos em um wiki. E aquilo tudo simplesmente fazia muito sentido. Acho que foi o único projeto dos tantos que saíram da lista metáfora que se tornou um conceito, uma prática e uma rede.

Subvertendo

Não quero aqui dar exemplos de projetos ou esporos de metareciclagem onde visivelmente houve tranformação social, econômica, etc. São muitos. Citar um e deixar de falar de outro pode não ser muito coerente com a idéia de rizoma-rede.
O essencial sobre a metareciclagem é sua capacidade de mudar pessoas, que conseqüentemente interferem em lugares e sobretudo em práticas.

Neste exercício de memória e reflexão o que mais chama a atenção é o fato da dimensão que as idéias tomaram, como fugiram do controle e se replicaram, se transformaram e tornaram-se fluxo. Afinal quem imaginaria lá em 2002 que hoje metareciclagem teria chegado a tantas pessoas que a entendem como práticas, idéias, conceito, redes, estilo de vida, etc…

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