Bricolando: Ser & Estar + Linguagem inclusiva


Notei que tem muita gente acessando a página sobre do blogue e lá tem destaque para apressadxs e para interesadxs.
Linguagem inclusiva causa estranhamento mesmo, não tem como não reagir ou notar algo de diferente. Aí as pessoas pensam, “eita! erro de digitação” ao lerem apressadxs, mas logo na sequência tem outro xis ocupando o lugar dos artigos de gênero o e a.
No latim tem uma conjugação neutra além do masculino/feminino.
O xis é uma opção bem relacionada a teoria queer, que discute o binarismo da biologia científica e questiona o ser pelo estar (to be). O bacana é que o questionamento parte de uma academia na qual o ser e estar é outsider, pois nas línguas anglo saxônicas o to be designa tanto ser como estar. E se você parar para pensar há uma diferença enorme!

Agora bricolo texto antigo didático e explicativo sobre linguagem inclusiva, ou os xises que aparecem no lugar de artigos.

Porque utilizar a linguagem inclusiva?
Aliás o que é isso mesmo?

Existe um pensamento, uma filosofia de vida da cultura faça-você-mesm@ que pressupõe que para mudar o mundo é preciso começar de nossas atitudes cotidianas. Há coisa mais arraigada em nossas mentes que nossa linguagem? É a partir da comunicação por palavras que passamos a conviver em sociedade, a expressar desejos e sentimentos, a estruturar pensamentos.

O uso constante da linguagem inclusiva causa uma mudança em nosso padrão de pensamento e justamente aí está sua importância radical. Dia a dia, ao falar de homens e de mulheres deixamos de excluir mais da metade da população planetária de nosso discurso. Não se trata de ser politicamente correta, sim de lutar contra um preconceito intrínseco da sociedade patriarcal expresso pro meio da linguagem. Lendo diariamente usuárixs, usuári*s, usuári@s, usuárias/os, etc que começamos a nos questionar sobre os motivos pelos quais a linguagem reflete uma exclusão que foi perpetuada pela sociedade.

Mas que diabos é isso de linguagem inclusiva mesmo?

Possivelmente você já viu em algum site, mensagem, ou chat alguém utilizando a/o, @, x ou *, em substantivos que estão no plural. A linguagem inclusiva utiliza-se destes recursos de forma a explicitar que quando se fala no plural refere-se tanto a homens quanto a mulheres.

A língua é viva, está em constante mutação, afinal foi assim que surgiu o próprio português, um dialeto tido como inculto do latim. É por isso também que o idioma que falamos no Brasil é tão diferente do de Portugal, Angola, etc.

Como aplicar a linguagem inclusiva

Se você não quer utilizar o @ (arroba) ou a/o nas palavras que estão no plural masculino algumas opções mais complexas passam por uma reestrutura da frase, que nada mais é do que uma forma diferente de ordenar os pensamentos.

A palavra ‘pessoas’ pode ser muito bem aplicada ao invés do tradicional plural masculino em casos como ‘os usuários’, ‘os editores’, etc. Uma solução mais radical utilizada por alguns grupos é a simples substituição do plural masculino pelo plural feminino.

Outra forma é a inversão do predicado. Frases simples como ‘os usuários editam o wiki’ podem ser ditas assim; ‘o wiki é editado’. A omissão do sujeito da frase também é sempre uma boa alternativa. Pode-se dizer: ‘Recomenda-se aos usuários do estúdio livre que subam arquivos em ogg theora no Acervo Livre.’ Mas também podemos omitir o sujeito dizendo: “Recomenda-se que subam arquivos em ogg theora no Acervo Livre.’

Por fim, listamos alguns exemplos que Beatriz Cannabrava, educadora, fundadora e atual presidenta da Rede Mulher de Educação, recomenda:

Os idosos -As pessoas idosas

Os jovens – A juventude

Os eleitores – O eleitorado

Os descendentes – A descendência

Os assessores – A assessoria

Os coordenadores – A coordenação

Os diretores – A diretoria

Os chefes – A chefia

Utilizar, ou não, a linguagem inclusiva é uma opção pessoal e política. Mas ninguém pode dizer que a língua não oferece recursos para sua aplicação, né?

Referências:

Linguagem Inclusiva CMI-Mulheres

UOL: Masculino e feminino: plural

Uma linguagem inclusiva

2 comentários sobre “Bricolando: Ser & Estar + Linguagem inclusiva

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